
2025—2026
Exposição
Museu Nacional de História Natural e Ciência
A exposição organiza-se em torno de um grande momento central, concebido como o elemento estruturador de toda a sala. Em contraste com um invólucro neutro, branco e depurado — próximo da linguagem de uma galeria de arte ou de um laboratório cientifico — a instalação assume-se como uma floresta artificial onde os animais parecem suspensos num ecossistema em permanente transformação.

A partir de um sistema constituído por um conjunto de pilares verticais, entendidos como os "troncos", desenvolve-se uma estrutura metálica modular onde os diferentes “ramos” podem rodar e ser reposicionados em altura.

Cada suporte é independente, permitindo ajustar a localização e orientação de cada exemplar, respondendo às características específicas de cada animal e à composição com os restantes.



A estrutura mantém a sua essência técnica e mecânica visível. O contraste entre o rigor construtivo e a organicidade dos animais reforça o diálogo entre natureza e ciência. O resultado é uma instalação que se afasta da lógica tradicional dos museus de história natural, propondo uma linguagem mais contemporânea, onde a exposição não procura recriar a natureza, mas interpretá-la através de uma estrutura simultaneamente técnica, flexível e poética.


O visitante percorre o espaço como quem contorna uma clareira, quase como se estivesse perante um ecossistema preservado, estabelecendo uma relação direta com os animais expostos: observa o animal e é simultaneamente observado por ele. No cimo há uma frase que lança uma questão central: Fazemos parte ou estamos à parte? Uma pergunta que convida a refletir sobre o lugar do ser humano no mundo e a sua relação com a natureza.

Ao longo do percurso, pequenos textos surgem discretamente, como pensamentos ou interrogações. A exposição não pretende fornecer respostas; propõe antes um conjunto de reflexões, ora poéticas, ora científicas, que estimulam diferentes formas de interpretar a coleção e o mundo natural com o intuito de o visitante terminar a visita com uma nova perspetiva sobre a sua presença no mundo.


A exposição reúne vestígios de momentos de transformação da Terra, entre processos geológicos, biológicos e a ação humana. Entre eles, um fragmento de trinitite, formado durante os primeiros testes da bomba atómica, materializa a capacidade humana de transformar o planeta. O fragmento é exposto no interior de um tubo de acrílico transparente, criando uma ilusão de suspensão. A transparência e a leveza visual da estrutura contrastam com a materialidade da pedra e a sua escala reduzida contrasta com a dimensão do acontecimento que representa, tornando-o símbolo material do impacto humano sobre o planeta.

A exposição termina com uma obra do artista Nature the artist, convidado a criar uma peça especificamente para este contexto. Concebida como um fóssil do nosso tempo, a obra incorpora a imagem de uma bomba de gasolina, transformando um objeto associado à era dos combustíveis fósseis num vestígio arqueológico. Como se fosse descoberta num futuro distante, a peça devolve-nos ao presente e questiona aquilo que a nossa época deixará inscrito na história do planeta.
Nuno Gusmão
Giuseppe Greco
Jacinta Fialho
José Vicente (Agência Calipo)

2025—2026
Exposição
Museu Nacional de História Natural e Ciência
A exposição organiza-se em torno de um grande momento central, concebido como o elemento estruturador de toda a sala. Em contraste com um invólucro neutro, branco e depurado — próximo da linguagem de uma galeria de arte ou de um laboratório cientifico — a instalação assume-se como uma floresta artificial onde os animais parecem suspensos num ecossistema em permanente transformação.

A partir de um sistema constituído por um conjunto de pilares verticais, entendidos como os "troncos", desenvolve-se uma estrutura metálica modular onde os diferentes “ramos” podem rodar e ser reposicionados em altura.

Cada suporte é independente, permitindo ajustar a localização e orientação de cada exemplar, respondendo às características específicas de cada animal e à composição com os restantes.



A estrutura mantém a sua essência técnica e mecânica visível. O contraste entre o rigor construtivo e a organicidade dos animais reforça o diálogo entre natureza e ciência. O resultado é uma instalação que se afasta da lógica tradicional dos museus de história natural, propondo uma linguagem mais contemporânea, onde a exposição não procura recriar a natureza, mas interpretá-la através de uma estrutura simultaneamente técnica, flexível e poética.


O visitante percorre o espaço como quem contorna uma clareira, quase como se estivesse perante um ecossistema preservado, estabelecendo uma relação direta com os animais expostos: observa o animal e é simultaneamente observado por ele. No cimo há uma frase que lança uma questão central: Fazemos parte ou estamos à parte? Uma pergunta que convida a refletir sobre o lugar do ser humano no mundo e a sua relação com a natureza.

Ao longo do percurso, pequenos textos surgem discretamente, como pensamentos ou interrogações. A exposição não pretende fornecer respostas; propõe antes um conjunto de reflexões, ora poéticas, ora científicas, que estimulam diferentes formas de interpretar a coleção e o mundo natural com o intuito de o visitante terminar a visita com uma nova perspetiva sobre a sua presença no mundo.


A exposição reúne vestígios de momentos de transformação da Terra, entre processos geológicos, biológicos e a ação humana. Entre eles, um fragmento de trinitite, formado durante os primeiros testes da bomba atómica, materializa a capacidade humana de transformar o planeta. O fragmento é exposto no interior de um tubo de acrílico transparente, criando uma ilusão de suspensão. A transparência e a leveza visual da estrutura contrastam com a materialidade da pedra e a sua escala reduzida contrasta com a dimensão do acontecimento que representa, tornando-o símbolo material do impacto humano sobre o planeta.

A exposição termina com uma obra do artista Nature the artist, convidado a criar uma peça especificamente para este contexto. Concebida como um fóssil do nosso tempo, a obra incorpora a imagem de uma bomba de gasolina, transformando um objeto associado à era dos combustíveis fósseis num vestígio arqueológico. Como se fosse descoberta num futuro distante, a peça devolve-nos ao presente e questiona aquilo que a nossa época deixará inscrito na história do planeta.
Nuno Gusmão
Giuseppe Greco
Jacinta Fialho
José Vicente (Agência Calipo)